Quinta-feira, Março 01, 2007

O MENINO QUE HÁ EM MIM

Existe um menino levado, que brinca, canta e encanta...
Um menino cheio de palavras, sorriso malicioso, olhar traiçoeiro...
Esse menino traquino, as vezes vem, outras vai, joga com a vida, faz propaganda de si mesmo...
Escorregadio, perco-o por entre os dedos...
Menino, de todos os santos, todas as gentes, diversos lugares. Essencia doce, pura e cristalina, verdadeira raridade...
Cultivado em terreno fértil brota com facilidade e se espalha, toma conta...
Caráter firmado, juízo de sobra, determinado.
Derruba minhas escadas, destrói meus medos, atravessa as paredes.
E eu que não podia esperar um dia a mais, cuja fortuna procurada era aquela apenas que eu precisava. Eu que sempre falava gentilmente com estranhos por não saber se precisaria deles não achei nada mais para fazer, nunca encontrei nada igual... Á menino! Posso matar o tempo, deixar tudo para trás e nunca ir até o fim porque o meio é o que desejo.
Não preciso dizer coisa alguma, eu já estive aqui, batendo a porta para que deixasem-me entrar, sem tempo nem horas, elas me esperam pois procuro uma resposta onde a pergunta não é vista, procuro um lugar dentro de mim, minha força.
Não sei de onde vim e nem sei para onde vou, sei que já vi o bastante, bastante pra saber que vi muita coisa, pra saber que vi até de mais, mas continuo ouvindo; o silêncio é alto, palavra dividida que nunca se diz. Só sei que o menino em mim vive cem vidas em um dia e morre aos poucos a cada respiração, tenho medo de não ver seu rosto de novo.

Sábado, Fevereiro 24, 2007

TUDO NA HORA CERTA

Quando menos agente espera ela vem. O mundo parece que vai cair sobre nós e nos esmagar de uma só vez como formiguinhas sobre nossas solas de sapato. Não adianta sair, estudar, fugir... A dor continua ali, martelando seus pensamentos, apertando a sua mente como se perdêssemos o autocontrole, vítima do próprio coração, dos desejos não desejados.
E passa uma semana, às vezes meses ou anos, como uma ferida vai cicatrizando aos poucos, às vezes machucamo-las, sangra novamente e logo estanca. Dor insistente, às vezes inerente ao nosso comportamento. Mas tudo passa e logo ela chega.
Agente chora, reclama da vida, se indaga, discuti e se aconselha com os amigos, perde a noção do tempo, das responsabilidades e mesmo sabendo que realmente lá no fundo nada mais vai dar certo, nos apegamos a um fino fio de esperança, acreditando que no fim tudo irá se resolver como passe de mágica. Um milagre. Seria tão bom se fosse assim – se nossos anseios tornassem verdades. O fim chega, muitas vezes não da forma que desejamos isso porque conquistamo-la.
E caímos na fossa novamente. Uma depressão intermitente, lembranças, planos para um futuro inexistente, busca por soluções inúteis, mas a fé inabalável. Acreditamos que vai dar certo, mas não paramos para observar que a paciência ensina que o tempo cura tudo. Ela brota sem percebermos do nosso interior.
Um dia acordamos e vamos direto cumprir com nossas obrigações e nos damos conta de que passamos um dia tranqüilo, que não relembramos de nada em momento algum e uma sensação nos invade, tem aquele arrependimento por estarmos esquecendo algo que supomos amar, entristecemo-nos, mas a vida vai seguindo seu rumo e nos a nossa rotina.
A força fez se presente, veio a você na hora certa, ergueu-lhe e mostrou-lhe que tudo tem seu tempo e não adianta gritar aos quatros cantos, esbravejar, se arrepender. Nos recompomos quando se faz realmente necessário deixar o passado pra trás.

INOCÊNCIA PERDIDA

E ensinou-me, mostrou-me que cada vez mais preciso dos meus amigos; que ainda não é bastante o amor devotado a mim; que tenho que ter mais paciência e perceber (saber esperar é uma virtude). Não atirar-me de cabeça; não acreditar nas primeiras palavras e nem em atitudes. Promessas nem sempre são cumpridas. Reservar-me; ser menos complacente, menos dado; nem todos necessitam de um sorriso puro.
São tantas decepções, o pescoço sempre erigido, às vezes inclinar a cabeça evita machucar a testa. Agradar a mim e aos que amo de verdade e não a todos que passam em minha vida; a bondade exacerbada é uma ilusão no mundo que vivemos. Fazer minha parte, mas olhar para trás, ver minhas pegadas e não repetir os mesmos caminhos, ter malícia, melhor, maldade mesmo, nos olhos, na boca, no coração. A inocência é burrice.
Escutar, não pouco, não razoavelmente, mas muito, se possível na maioria das vezes. Evitar palavras, críticas e opiniões é ser sábio. Palavras proferidas ao vento são como estrelas mortas no espaço, já desapareceram à anos, talvez séculos, mas o brilho permanece aos olhos por muito tempo. Preocupar-me sempre com o que pensam dos meus discursos, há sempre interpretações errôneas e distorcidas.
Ser eu, apenas eu, ser integrante de uma sociedade, transparente de corpo, alma, coração e atitudes. Viver os momentos com cautela e sempre andar com um pé atrás, um passo atrás pode significar dois à frente. Buscar a admiração por atitudes próprias e não por preferirem que eu aja de tal forma. Mesmo que essa pessoa seja o grande amor da minha vida.
Abrir meus os olhos ao amor. Traiçoeiro, sabe derrubar sem pedir licença, e quando chega destrói muralhas e deixa os fortes sem defesa. Evitar ser suscetível a ele, ficar longe, observando-o, analisando-o para não tomar banhos de água fria em tempos de chuva. Ser forte acima de qualquer coisa, ter convicções nos meus atos e arcar com todas as conseqüências. Firmeza até a última instância e persistência sempre, com medidas e estratégias.
Trancar, esconder o menino que há em mim e guardá-lo para um futuro propício e distante.

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007

PRIMEIROS PASSOS

Cinco minutos de atraso foram suficientes para ver-me perdido naquele prédio de aula, andei para um lado, voltei por outro, subi a escada e entrei na biblioteca, duas negras muito bonitas estavam sentadas em frente ao computador dando risada de alguma coisa que viam: Boa noite, disse eu perguntando qual a sala dos calouros de arquitetura. Indicaram me duas salas, uma vazia e a outra com uma turma avançada. Desci as escadas, encontrei um conhecido, comprimentei-o e no balcão de xerox pedi informação, fui até o portão principal e olhei os horários que estavam fixados na parede, enfim descobri aonde era a minha sala.
Com um leve friozinho na barriga abri a porta e deparei-me com uma sala cheia e três professores em frente, um deles era a coordenadora do curso, sentei-me numa prancheta logo ao lado direito da porta e comecei a assistir o restante do discurso sobre a instituição, as normas do campus e os procedimentos do curso.
Começava eu a ter meus primeiros contatos com o mundo dos estudante de arquitetura, logo após a coordenadora sair os outros dois professores na sala deram inicio a apresentação da disciplina, um vídeo com fotos de edifícios do mundo todo acompanhado ao fundo de uma bela ópera que nos envolvia numa áurea indescritível, a cada minuto eu percebia que estava me encontrando, definitivamente é esse o meu espaço e futuramente minha profissão.
Emocionante, após engatinhar muitos anos consegui conquistar a tão esperada firmeza, coloquei meu pé direito no chão, firmei-o com vontade e me levantei, estou agora aprendendo a andar e passo a passo conquistar o meu espaço no mercado de trabalho como um profissional competente e de sucesso.
Encontrei minha área, comecei a estudar e assim plantar as sementes para futuramente colher bons frutos.

Sábado, Fevereiro 03, 2007

RECOMEÇAR


Sempre é e há tempo pra recomeçar, seja uma nova vida, um novo relacionamento, uma amizade, uma postura, enfim, é sempre bom fazer isso. Estou voltando ao Pequeno Aprendiz por necessitar saber mais sobre mim. É o que ele mais me proporciona - auto-conhecimento - de volta também por estar iniciando uma "nova vida", (mudei de emprego, de curso na faculdade, de planos para meu futuro e quero mudar meu comportamento). Traçar novos caminhos ainda não pisados, olhar novos horizontes, descobrir o que antes passava-se despercebido e abrir os meus novos olhos enchergando a vida diferente.
Estou tentando resetar algumas coisas para processá-las de outras formas e assim trilhar a escada que eu escolhi. Dois mil e sete para mim será um ano de evolução, quero chegar ao fim, olhar para trás e perceber o quanto cresci durante a trajetória no passar dos meses, sorrir e dizer: "este ano eu muito aprendi".
Já comecei a engatinhar e acredito que a partir desta segunda dia cinco já começo a firmar meus pés no chão e dar os primeiros passos. Vamos, é hora de recomeçar!
"As vezes na vida precisamos dar um passo atrás, para dar dois pra frente".

Terça-feira, Abril 19, 2005

INDGNADO


Não poucas vezes quis negar-me a existência, buscar uma outra saída, reconstruir uma nova vida e amanhecer nostalgicamente num lugar completamente desconhecido. Cansado da rotina, dos mesmos lugares, dos mesmos caminhos, das mesmas dúvidas, das mesmas opções, das mesmas respostas, dessa mesma luta que aparenta nunca cessar.
Sempre as mesmas questões – um trabalho, uma formação profissional, um salário no fim do mês, dívidas para pagar, uma casa, uma mulher ou marido, filhos para sustentar etc... Um círculo vicioso que parece não ter fim, pois a única reta que traçamos é a da idade, nessa sim não se dá voltas, sempre em frente e decadente indo de encontro à morte.
E depois? Depois de passar por todas essas etapas, depois que a minha vida chegar ao fim? Vai ser apenas isso? Morrer e fim?
Há os aprendizados, há a evolução intelectual, o aperfeiçoamento do caráter, das atitudes, mudanças, mas apenas mudanças. Cansado estou, drástico sou e não mais quero falar nisso.