Um menino cheio de palavras, sorriso malicioso, olhar traiçoeiro...
Esse menino traquino, as vezes vem, outras vai, joga com a vida, faz propaganda de si mesmo...
Escorregadio, perco-o por entre os dedos...
Menino, de todos os santos, todas as gentes, diversos lugares. Essencia doce, pura e cristalina, verdadeira raridade...
Cultivado em terreno fértil brota com facilidade e se espalha, toma conta...
Caráter firmado, juízo de sobra, determinado.
Derruba minhas escadas, destrói meus medos, atravessa as paredes.
E eu que não podia esperar um dia a mais, cuja fortuna procurada era aquela apenas que eu precisava. Eu que sempre falava gentilmente com estranhos por não saber se precisaria deles não achei nada mais para fazer, nunca encontrei nada igual... Á menino! Posso matar o tempo, deixar tudo para trás e nunca ir até o fim porque o meio é o que desejo.
Não preciso dizer coisa alguma, eu já estive aqui, batendo a porta para que deixasem-me entrar, sem tempo nem horas, elas me esperam pois procuro uma resposta onde a pergunta não é vista, procuro um lugar dentro de mim, minha força.
Não sei de onde vim e nem sei para onde vou, sei que já vi o bastante, bastante pra saber que vi muita coisa, pra saber que vi até de mais, mas continuo ouvindo; o silêncio é alto, palavra dividida que nunca se diz. Só sei que o menino em mim vive cem vidas em um dia e morre aos poucos a cada respiração, tenho medo de não ver seu rosto de novo.


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